Por Márcio de Faria Freitas.

Sou ortopedista. Morando em uma grande cidade e com demandas cada vez mais peculiares, especializei-me em tratar lesões e problemas relacionados aos pés e tornozelos.

Algumas causas que levam os pacientes ao meu consultório são bastante conhecidas: grande parte dos meus pacientes são mulheres que fazem uso exagerado de sapatos com saltos ou que usam com muita freqüência sapatilhas e calçados baixos (por mais paradoxal que isso pareça).

Também tem o aumento do número de praticantes de corridas! Muitos corredores, homens e mulheres que correm por prazer, sofrem o desprazer das lesões por correrem de forma exagerada ou incorreta.

Existem também, é claro, os acidentes em esportes de impacto e/ou contato, como o vôlei e o futebol e, ainda, os incidentes causados por fatores como o excessivo número de buracos em nossas cidades brasileiras.

O que pode ser uma surpreendente novidade para você, leitor, é que uma das grandes causadoras de graves problemas nos pés são as inocentes viagens de férias!

São inúmeros os pacientes que me procuram com lesões e dores nos pés depois de viajares. Isso mesmo: há um aumento significativo das dores e lesões nos pés e tornozelos depois de uma viagem, especialmente para destinos que envolvem horas de caminhadas – como Nova York e Paris – em instigantes visitas a pontos turísticos ou mesmo para as igualmente fascinantes compras – um dos prazeres da maioria dos mortais durantes as viagens.

Nossos pés estão acostumados com o nosso dia a dia. Mudanças repentinas que acontecem quando viajamos, como o aumento expressivo e repentino do tempo que permanecemos em pé, as distâncias caminhadas, o peso das compras levadas, o menor período de repouso, alterações climáticas e tipos diferentes de calçados, acabam causando tais lesões.

Dores nos calcanhares, causadas pela Fasciite Plantar (mais conhecida como Esporão de Calcâneo), lesões no tendão de Aquiles, fraturas por estresse, desconforto e formigamento nos dedos e sob os dedos (o que chamamos de metatarsalgias) são exemplos rotineiros de problemas enfrentados após uma viagem.

Mas o que fazer?

Ao contrário do que imaginamos, mais do que alongar, fazer exercícios funcionais de fortalecimento das pernas e exercícios de estabilização da musculatura dos quadris e abdominal nas semanas que antecedem a viagem, podem evitar muitas lesões. Importante dizer, que há inúmeras possibilidades de realizarmos os exercícios em casa, sem a necessidade dos equipamentos das academias. Seu médico ou seu preparador físico podem indicar os exercícios essenciais.

A escolha de calçados macios e confortáveis (Atenção mulheres: cuidado, como já disse no início do texto, com os saltos e sapatilhas!!!) é fundamental, assim como traçar um roteiro de viagem que permita horas de repouso para os pés (e para a alma e o corpo como um todo. Afinal, o descanso deve fazer parte das boas viagens de férias). Esse tempo é importantíssimo para a regeneração das lesões microscópicas que antecedem as lesões propriamente ditas.

Caminhar é preciso. Viajar é preciso. Mas sofrer durante e depois a viagem pode – e deve – ser evitado.

Márcio de Faria Freitas – Especialista em Pé e Tornozelo do Instituto Vita, principal Centro de Medicina Esportiva de Alto Rendimento do País e Referência em Ensino e Pesquisa.

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