Nunca fui desses viajantes que odeiam pontos turísticos ou cartões postais das cidades. Pelo contrário. Se algo se tornou uma das grandes sensações turísticas, é porque provavelmente deve ser especial. O que detesto é “muvuca”, aglomerado de gente, turistas armados com máquinas que nem contemplam o local antes de disparar suas fotos.

Por isso, tão logo cheguei a Paris comecei a buscar a Torre Eifel dos mais diversos ângulos. Alguns com a minha presença ou da minha esposa. Às vezes de nós dois, graças à boa vontade de algum outro turista.

O auge seria na hora de subir ao topo da torre, ao topo do mundo, algo que eu não fizera nas duas vezes anteriores em que estive por aqui.

Vi a torre de perto e de longe. De noite e de dia. Sozinha ou acompanhada de seres – como gente, estátuas e pássaros. Tudo à espera do grande momento de subir.

Mas no fundo eu sabia que algo me frustraria tão logo chegasse ao topo. Não, não falo daquela sensação de vazio que muitas vezes vem acompanhada das grandes conquistas. Objetivo atingido, cargo conquistado, após anos de esforço e luta, lá vem aquele vazio. Chegamos lá, mas continuamos a mesma coisa, simples mortais humanos, pequeninos, como quando vistos do alto da torre quando já caminhamos de volta para casa. Ou para o hotel.
A solidão do poder! O vazio após a grande vitória.

Falo é de algo mais simples, que não passa pela filosofia, mas pelo turismo.

O fato é que temia que ao chegar no alto da Toffe Eifel não mais teria justamente a visão que mais me encanta em Paris: a própria Torre Eifel.

É estranho estar em Paris sem ver o seu maior símbolo. Talvez no Rio exista uma sensação semelhante diante do Cristo, embora provavelmente, com tantas montanhas, ele não seja visível de vários pontos da cidade. Além disso, como está no alto da montanha, mesmo lá de cima é só olhar para o alto que temos a garantia de vê-lo. Também é um pouco diferente por ser uma imagem naturalmente atrelada ao Cristianismo, o que torna a torna um pouco menos universal.

Na Torre descobrimos, emocionados, que ela pode, sim, ser vista de lá mesmo. Do primeiro andar, a vemos quase inteira. O grande momento foi, contudo – que linda surpresa! – quando ela apareceu em forma de sombra – fato que registrei com a cam.

A Torre Eifel vista da Torre Eifel.
A magia da sombra, na Cidade Luz!

Curta e compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • LinkedIn
  • StumbleUpon
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS