Escritas há quatro séculos, as palavras do padre Antônio Vieira mantêm-se atuais. Neste ano, serão tema de abertura da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada entre os dias 22 e 31 de agosto, em São Paulo. Na ocasião, a atriz Fernanda Montenegro lerá trechos dos livros publicados por Edições Loyola, “Sermões do padre Antônio Vieira (1608-1697)”.

 

Leitura profunda e instigante

Edições Loyola lançou, recentemente, o livro XII, último volume dos “Sermões do padre Antônio Vieira, dando continuidade ao projeto iniciado em 2008 com o volume I. A obra é resultado das reflexões do missionário e escritor português, do século XVII, e traz marcas da estética barroca. A questão básica dos sermões é como a palavra de Jesus Cristo é utilizada pelos pregadores. Um olhar mais profundo mostra que o autor vai além da catequese, adotando uma atitude crítica de codificação da palavra. Os sermões deste volume, denominado pelo mesmo Vieira como o seu Benjamin, são um resumo, claramente pensado e afetuoso, de sua vida de jesuíta dedicada ao serviço de Deus e aos ministérios sacerdotais.

Todo o volume é dedicado à Conceição da Virgem Senhora Nossa. Assim, o primeiro sermão do volume, datado de 1634, aconteceu na Bahia. Vieira tinha então vinte e seis anos e seria ordenado sacerdote em dezembro desse ano. É o seu primeiro sermão e é uma clara dedicação sua a Nossa Senhora da Conceição. Nesse momento, a lembrança do sermão antes pregado na Bahia, e agora relembrado, traduz um sentimento profundo de Vieira. Três são os sermões dedicados a Santo Antônio. Todos os sermões a Santo Antônio, e são muitos, pregados no Brasil, em Portugal e na Itália, revelam outra dimensão da personalidade de Vieira: ele é português e ama Portugal, a quem dedicou os trabalhos de sua vida entre muitas adversidades e muitos êxitos. Não é sem sentido que neste volume são três os sermões de Santo Antônio. Devem ser lidos e apreciados nessa perspectiva. Três são, também, os sermões pregados aos Domingos. Igualmente, o domingo foi para Vieira pregador um dia sempre especial, no qual se revelavam seus dotes oratórios e sua dedicação à missão evangelizadora. Esses sermões, todos quaresmais embora não sequenciais, relembram a famosa Quaresma de 1655, quando em Lisboa prega, todos os domingos, preocupado unicamente com a sua missão no Maranhão e em Portugal. Dois sermões são dedicados a dois santos evangélicos: São José e São João Batista. Os Evangelhos foram para Vieira não só o texto fundamental de sua pregação, mas o alimento de sua vida espiritual. Esses dois santos marcam traços de sua espiritualidade: José, o santo silencioso e atento aos movimentos do Espírito, e o Batista, o santo corajoso nas denúncias contra os poderosos. Dois sermões pregam as Chagas de São Francisco. Nessas chagas, Vieira encontra muita consolação para os sofrimentos de tanta gente e dele mesmo. São Francisco é para Vieira, também, modelo completo de vida cristã. Cinco sermões têm a temática individualizada. O primeiro, na festa da Ressurreição do Senhor. São também muitos os sermões feitos nessa ocasião. Todos eles revelam a fé do Apóstolo e o zelo pelo crescimento religioso dos fiéis católicos. O segundo, na festa da Exaltação da Santa Cruz, pregado no Convento de religiosas, aborda as três cruzes de toda a vida. A cruz da religião parece mais pesada. A cruz do mundo é mais pesada ainda. A cruz de Cristo é tão larga pela causa e tão leve pela companhia. O terceiro é Gratulatório e Panegírico. O ambiente do sermão é o canto de um Te Deum. Libertado em junho de 1668, Vieira é transferido para Lisboa e retoma o posto de Confessor do regente, assim como o direito limitado de pregar. Vieira se sente livre, embora sinta os problemas pelos quais passará. O quarto é pregado na Capela Real. São vários, também, os sermões pregados sobre São Roque. O quinto é pregado na Igreja Santa Engrácia em defesa da fé católica deste mistério, argumentando, entre outras razões, com a paciência de Cristo, prova de sua presença.

Na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, cuja programação cultural foi elaborada pelo Sesc-SP, outro destaque é a participação do professor da USP João Adolfo Hansen, no Salão de Ideias, no qual irá  analisar os Sermões de Antônio Vieira. Além disso, haverá sessão de autógrafos com o professor Hansen, promovida por Edições Loyola, para o lançamento do livro Obra completa Padre Antônio VieiraA Chave dos Profetas.

 

 

Edições Loyola lança o tesouro do Padre Antônio Vieira na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

 

Edições Loyola associa-se ao Circulo de Leitores de Portugal neste extraordinário acontecimento literário, que é o lançamento da Obra completa Padre Antônio Vieira. Sob a direção de José Eduardo Franco e Pedro Calafante, com a colaboração dos mais renomados especialistas de Portugal e Brasil, a obra vem à luz após uma década de intensa investigação cientifica coroada por rigoroso trabalho editorial e apresentação gráfica primorosa, para ser consagrada na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.  Este é o tesouro e uma das principais obras do Padre Antônio Vieira, com a qual pretendia mostrar o cristianismo nas esferas da vida humana: corpo e espírito; homem e sociedade; reino e império. Em suas palavras: “o palácio dos meus escritos”. Neste livro, Vieira leva em conta o respeito pelo valor da justiça, da paz universal e da tolerância entre os homens e as nações, de onde emergem os ensinamentos sobre o moderno conceito de comunidade internacional.

No Brasil, a publicação começa pelos dois volumes contendo a novíssima tradução completa de A Chave dos Profetas, um dos tesouros desta coleção, considerada pelo próprio Vieira a sua obra magna e definida por Pedro Calafante como “um tratado teológico-político sobre a justiça e a paz universais”. A obra completa, em 30 volumes, estará disponível ao publico brasileiro até o final de 2015.

Por este motivo, em 23 de agosto, às 20h, após o Salão de Ideias, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Edições Loyola promoverá o lançamento do livro Obra completa Padre Antônio VieiraA Chave dos Profetas. Haverá sessão de autógrafos, no estande da editora (Rua L/600), com a participação do professor da USP João Adolfo Hansen.

 

Sobre o organizador: 

João Adolfo Hansen é doutor em literatura brasileira pela FFLCH-USP e professor titular da mesma faculdade. É autor de A sátira e o engenho: Gregório de Matos e a Bahia do século XVII (Ateliê Editorial, 2004) e organizador de Antônio Vieira: cartas do Brasil (Hedra, 2003).

 

SERVIÇO:

 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

 Período: de 22 a 31 de agosto de 2014

Horário de funcionamento: das 10 às 22 horas

Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi

End.: Av. Olavo Fontoura, 1209 – São Paulo – SP

Edições Loyola – Rua L600

Site: www.bienaldolivrosp.com.br

Valor do ingresso:

– Sexta, sábado e domingo: R$ 14,00 (valor inteiro) e R$ 7,00 (valor de meia-entrada).

– Segunda a quinta: R$ 12,00 (valor inteiro) e R$ 6,00 (valor de meia-entrada).

Entrada gratuita: professores, profissionais da cadeia produtiva do livro, bibliotecários, estudantes inscritos pelo sistema de visitação escolar programada, maiores de 60 anos e crianças com até 12 anos, mediante apresentação de documento comprobatório.

 

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