A #RedeMIS oferece amanhã, dia 10 de julho, quarta-feira, das 14h30 às 17h30, uma instigante oficina com multicultural José Luiz Goldfarb. “Nesta oficina temática vamos analisar como funciona o uso das redes sociais como organizadoras de ações na sociedade e debater as possibilidades e perspectivas em termos da construção de novas formas de participação democrática”, diz o professor. A oficina é gratuita e não é preciso fazer inscrição para participar.

 

Manifestações ocorreram em todo o País

São Paulo - A #RedeMIS, núcleo do Museu da Imagem e do Som (MIS) nas redes sociais, tem uma nova oficina no dia 10 de julho, quarta-feira, das 14h30 às 17h30, com a  proposta de disseminar atividades de educação, jornalismo e cultura on e offline. O tema da oficina é instigante e atualíssimo: “As Redes Sociais e as recentes manifestações no País”. Será ministrada pelo coordenador da #RedeMIS, José Luiz Goldfarb.  A oficina é gratuita e não é preciso fazer inscrição para participar.

“Nesta oficina temática vamos analisar como funciona o uso das redes sociais como organizadoras de ações na sociedade e debater as possibilidades e perspectivas em termos da construção de novas formas de participação democrática”, afirma Goldfarb.

As oficinas da #RedeMIS são voltadas a jornalistas, professores, escritores, estudantes e demais interessados em debater e aprofundar seus conhecimentos e práticas sobre as  mídias e redes sociais, assim como sobre temas relevantes e contemporâneos…

As manifestações, na arte de Eduardo Kobra

Ficha Técnica

Tema: “As Redes Sociais e as recentes manifestações no País”

Quando: dia 10 de julho, das 14h30 às 17h30

Onde:  Sala do LabMIS do Museu da Imagem e do Som (MIS), na avenida Europa, 158 – Jardim Europa – São Paulo – tel: 11-2117-4777-  www.mis.sp.org.br

Entrada: franca.

Professor:  José Luiz Goldfarb

Público-alvo: jornalistas, professores, escritores, estudantes e demais interessados em debater e aprofundar seus conhecimentos sobre as  mídias e redes sociais.

Estacionamento conveniado: R$ 8,00 (desde que a pessoa carimbe o estacionamento na recepção).

Acesso e elevador para cadeirantes

Ar-condicionado: sim

Realização: #RedeMIS

Apoio: Fundação Santa Maria

 

Sobre a #RedeMIS

Iniciada em setembro do ano passado, a #RedeMIS reúne a tribo de twitteiros culturais no MIS para trocar experiências, conhecimento e auxiliar outras pessoas a entrarem nas Redes Socais. “Pessoas que ainda não estão nas Rede Sociais podem se cadastrar e aprender com assessores sentados ao lado. E quem ainda não deslanchou nas redes tem a oportunidade de se desenvolver e aprofundar ainda mais”, diz José Luiz Goldfarb, o âncora do projeto. Segundo Goldfarb, “não é novidade para ninguém que o crescimento da relevância das mídias sociais junto a nossa sociedade tem alterado significativamente a forma pela qual o nosso dia a dia tem se desenvolvido. A um custo extremamente baixo as pessoas têm nas mãos seus celulares e tablets, que ligados à rede colocam um infinito de possibilidades ao alcance de todos. Fazer desta oportunidade um momento para a efetiva democratização da cultura é a meta da #RedeMIS”, afirma. E acrescenta: “Curiosamente, essas iniciativas têm tido um grande índice de aprovação justamente devido ao fato de permitir a efetiva democratização das informações e conhecimentos de forma imediata e, principalmente, com valor agregado, algo jamais visto na história da humanidade. Não há como negar que será desafiador ver os cidadãos brasileiros, pessoas comuns, como efetivas fontes e propagadores de informações inéditas e ricas para o mundo inteiro”, afirma.

 

Sobre José Luiz Goldfarb

É bacharel em Física (USP), mestre em Filosofia e História da Ciência (McGill University, Canadá), doutor em História da Ciência (USP), vice-coordenador do Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência, presidente da Cátedra da Cultura Judaica da PUC-SP e coordenador do Twitter da PUC-SP; curador do Prêmio Jabuti; presidente do Conselho da Associação Amigos do Museu Judaico de São Paulo; assessor de Comunicação e de Redes Sociais da Associação Brasileira ‘A Hebraica’ de São Paulo; consultor de programas de incentivo à leitura, de projetos do terceiro setor e de desenvolvimento de ações sociais e educacionais no Twitter; membro da Academia Paulista de Educação e coordenador do projeto #REDEMIS do Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

 

Artigo

O tecido que entrelaça as pessoas nas

redes sociais amadureceu e ganhou consistência

 

Por José Luiz Goldfarb 

 

José Luiz Goldfarb

A energia das manifestações que balançaram o Brasil nas inesquecíveis semanas de junho teve tamanha força que trouxe a todos profundas indagações, após o choque de indignação.  Quem poderia prever esta explosão da expressão de protesto de milhares de brasileiros ocupando as ruas de Norte a Sul? E aquilo que acontece sem previsão sempre carrega profunda dificuldade para antever o que virá. O imprevisível carrega novas estruturas que exigem novos conceitos para compreensão. Aquilo que não foi previsto não obedece aos parâmetros de percepção do presente. É quando a inovação acontece.

Os acontecimentos que levaram multidões às ruas estão relacionados com as novas formas de comunicação que começamos a praticar. Não se pode falar das manifestações sem se referir às redes sociais. Através da internet as ações foram convocadas, acompanhadas e  comentadas.  As redes tornaram as pessoas e os acontecimentos mais próximos de todos. Postar nas redes torna-se, cada vez mais, um hábito no cotidiano das pessoas. Nada escapa à nova mídia: aniversários, nascimentos, falecimentos, eventos mais variados possíveis, culinária (o pão nosso de cada dia), jogos de futebol (Galvão Bueno sentiu na pele na última Copa, quando a Fúria do Pássaro Twitter foi destaque de importantes publicações na mídia de todo o País) e até novelas.

O cotidiano abraçou a nova mídia. Minha vida não é só mais uma vida só minha. Ela é compartilhada por milhares pelas redes, cotidianamente. Eventos cruciais, como desastres (naturais ou não) e revoluções contra ditaduras são também compartilhados por milhares de pessoas online, ao vivo e a cores.

Esse é um ponto que nos ajuda a entender a força do que ocorre no País. De repente, o tecido que entrelaça as pessoas nas redes amadureceu e ganhou consistência. Lemos jornais, revistas, portais, sites  e artigos, mas também recebemos diretamente as informações do que ocorre, escritas por milhares de pessoas com quem compartilharmos as redes.

Recentemente, ao caminhar de minha casa para a av Faria Lima, em direção a uma manifestação, lembrei-me das passeatas dos 60, quando eu ainda era muito pequeno, mas já percebia o que acontecia no País; das passeatas dos anos 70, já no movimento estudantil, ativo na luta contra a ditadura e em busca da liberdade; das ocorridas nos anos 80, pelas “Diretas Já” e, finalmente, das manifestações dos anos 90,  pela queda do então presidente Collor.

Muitas imagens acompanhavam a emoção em dirigir-me outra vez para as ruas de Sampa para uma passeata. Parei em um boteco e vi que todos, trabalhadores da construção civil, estavam com os olhos na TV acompanhando os eventos. Um homem negro, desinibido, olhou para mim e perguntou: “e aí doutor, quem lidera isso?” Fiquei sem graça para responder que não sabia ao certo, mas rapidamente arrisquei: “você tem Facebook?”. O rapaz respondeu: “claro”. Ao que acrescentei: “Pois então, quem lidera é o Facebook”.  Ele olhou-me, abriu um sorriso e encerrou, satisfeito, a conversa: “Ah, entendi!”.

Segui para a manifestação. Mas claro, é preciso explicar quem é o Facebook! Não é, obviamente, um indivíduo, um líder no sentido tradicional. As redes sociais são milhares de indivíduos com existências compartilhadas. As manifestações foram a expressão nas ruas de uma corrente de pessoas que foram se conhecendo e se ligando nas redes.

Outro dia, no ônibus de volta do jogo Espanha e Nigéria, em Fortaleza, nosso veículo deixou o futebol de lado e tornou-se espaço para manifestação com as palavras de ordem que estão rolando pelo Brasil, com direito ao hino nacional entoado inteirinho, três vezes! O termo “Coletivo” não se aplicava apenas ao veículo, mas ao que todos nós nos transformamos naquela hora. Todos registraram o momento e postaram, imediatamente, nas redes. Quando eu poderia imaginar que um dia, em um ônibus na volta do estádio de futebol, eu seria transportado para um espaço/momento de manifestação? A sociedade em rede, a vida compartilhada, chegou! Muitas novas formas de viver começam a acontecer. É preciso refletir para onde vamos e quais os caminhos, perigos e perspectivas.

É uma discussão que teve ser feita com todos e para todos.

 

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