por Airton Gontow

 

Faleceu na sexta-feira, 12 de agosto, em Israel,  o “Homem Mais Velho do Mundo”. Sobrevivente do Holocausto, Yisrael Kristal completaria 114 anos dentro de um mês. Kristal ganhou o certificado da organização Guinness World Records após a morte do japonês Yasutaro Koide, aos 112 anos e 312 dias. “Todos têm o seu próprio destino, não há segredos”, disse ao receber o título.

De família judia ortodoxa, Kristal nasceu no vilarejo de Zarnow, na Polônia, em 15 de setembro de 1903. Aos 17 anos, mudou-se para Lodz, também na Polônia, onde sua família abriu uma fábrica de doces. Em 1940, foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz, onde perdeu a mulher e os dois filhos. Após ser resgatado com 37 quilos, mudou-se em 1950 para Israel. Casou-se novamente e passou a viver em Haifa, cidade ao Norte de Israel (a terceira maior do País), onde abriu uma confeitaria.

Não gostava muito, como acontece com muitos dos sobreviventes do Holocausto, de falar sobre o período passado nos campos. Mas declarou israelense Haretz: “Dois livros poderiam ser escritos sobre um só dia ali”. Sobre como prosseguiu após a grande tragédia, afirmou: “tudo o que nos resta é continuar trabalhando o mais duro que pudermos e reconstruir o que está perdido”.

No ano passado, Kristal comemorou, com 100 anos (um século!) de atraso, o seu Bar-Mitzvá, cerimônia judaica que marca a passagem de um garoto para a vida adulta, aos 13 anos. Não tinha vivenciado o importante rito de passagem devido à Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918).

Apesar de atento ao mundo atual e de toda a tragédia vivida no passado, Yisrael era crítico do mundo moderno, especialmente da falta de atitude dos jovens. “O mundo piorou. Não gosto da permissividade. Tudo é permitido. Os jovens de antes não eram tão atrevidos como agora. Tinham que pensar sobre uma profissão e sobre como ganhar a vida. Viravam carpinteiros, alfaiates e agora tudo é feito com alta tecnologia. As coisas são fáceis, não exigem esforço e não há o trabalho manual que existia no passado”, disse ao jornal israelense.

YisraelUm fato curioso. Yisrael Kristal era “irmão-gêmeo” do Grêmio. A descoberta da coincidência das datas foi do jornalista gaúcho Léo Gerchmann. Ao ler as notícias sobre a “longevidade campeã” do senhor Yisrael, depois da morte de Yasutaro Koide, Gerchmann (autor de livros como “Somos Azuis, Pretos e Brancos”, ‘COLIGAY – Tricolor e de todas as cores” e “Viagem à Alma Tricolor em 7 Epopéias”) entrou em contato com Beto Carvalho, diretor de Marketing do Grêmio.

A equipe agiu rapidamente. Uma camiseta foi confeccionada e enviada para Israel, onde foi recebida pelo gaúcho Nelson Burd, que vive próximo a Haifa e foi de trem até a casa de Yisrael Kristal. Na época, escreveu Burd: “Foi emocionante. Ele ficou muito feliz. A filha dele, Shula, estava lá também. O Bernardo Kopstein Schanz fez as fotos. Yisrael Kristal não sabia que nós íamos até lá. A filha dele preferiu não contar, pois ele ficaria ansioso, na espera. Ele usa aparelho auditivo, precisou colocá-lo para falar com a gente…Ele ficou muito feliz, surpreso. Contamos sobre o Grêmio, a coincidência, tudo. Ele ficou radiante. A imortal coincidência o comoveu. Na verdade, a todos nós. Ele ria e chorava ao mesmo tempo. Dizia: ‘é o meu aniversário; é a minha data na camisa’”.

Assim como o Tricolor Gaúcho, Yisrael agora é Imortal. Kristal que não se quebra! Imortal para seus dois filhos, seus netos e bisnetos. E para todos que viram seu exemplo de vida e de superação.

O Guinness World Record ainda não informou quem será agora declarado “o homem mais velho do mundo”.

 

Airton Gontow é jornalista, cronista e diretor do site de relacionamento Coroa Metade.

 

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