Conversas e memórias – narrativas do envelhecer”, de Gonçalo de Melo e Adriana Rodrigues Domingues, reproduz histórias narradas por idosos, em forma de crônicas e texto teatral, e analisa, à luz da psicologia social, as repercussões na saúde e bem-estar dos envolvidos.

 

            O belo trabalho realizado com grupos de idosos da Zona Leste da cidade de São Paulo acaba de virar livro. “Conversas e memórias – narrativas do amanhecer” (265 paginas – R$ 55,00), de Gonçalo de Melo e Adriana Rodrigues Domingues, publicado pela editora Via Lettera, está em livrarias de todo o país.

O livro registra os passos do trabalho iniciado em 2002 no Centro de Referência do Idoso (CRI), de São Miguel Paulista e reproduz histórias narradas por seus participantes (em forma de crônicas e texto teatral) e uma análise, através da Psicologia Social, sobre as repercussões na saúde e bem-estar dos envolvidos.

Além dos depoimentos, o livro impressiona pelas imagens – nas fotos de  Luiz Braga e nas ilustrações de Plínio Rhigon. A obra teve o Ministério da Cultura, Banco Safra e Prevent Senior

Convidado pela Secretaria de Saúde,a introduzir o projeto “Conversas e Memórias” no rol de atividades culturais e educacionais do CRI, Gonçalo de Melo fugiu ao apelo fácil da tradicional fórmula “baile-bingo-bolinho” para propor o exercício da conversação.

“Meu objetivo era provocar a revelação de histórias que levassem os idosos a repensar suas trajetórias e dar novos significados à atual fase de suas vidas”, conta. As conversas eram estimuladas com a leitura de notícias, poesias, crônicas e, até, idas ao cinema e ao teatro em grupo.

Os encontros, acompanhados de perto pela psicóloga Adriana Rodrigues Domingues foram transformados em tese de doutoramento, defendida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que tem alguns capítulos reproduzidos na primeira parte do livro.

A experiência e as transformações

Adriana mapeou cuidadosamente os efeitos do que chama de “experiência comunitária” do grupo e as transformações produzidas nas vidas de seus integrantes, em geral com histórico de muita pobreza e sacrifícios. Os encontros, marcados pela cumplicidade, produziram momentos de choro contido, mas também de muita alegria.             A autora colheu expressões e depoimentos emocionantes, como o da idosa-personagem, Marcolina: “Será que uma pessoa analfabeta pode escrever poesia? Porque tem tanta coisa que passa pela minha cabeça que eu queria escrever, mas não sei”. Ou no pungente depoimento de outra integrante, Dalvina: “Aqui neste Centro, virei gente de verdade”.

O resultado de todo o trabalho é um riquíssimo material para reflexão. De acordo com os autores, ao revelá-lo, o livro pretende estimular a criação de outros grupos de idosos com proposta semelhante e mostrar um caminho possível para uma vida mais plena aos 70, 80, 90 anos, em um País cuja população envelhece rapidamente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 7% dos brasileiros têm mais de 65 anos, porcentagem que deverá ser de 18% em 2050.

 

 

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