Estudo divulgado pelo CISA revela que homens e mulheres se assemelham quanto às expectativas dos efeitos do consumo do álcool

 

Um estudo recente, publicado na revista “Cadernos de Saúde Pública” e divulgado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no País sobre o tema, revela expectativas associadas ao comportamento de “beber com embriaguez”.

Segundo o “I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira”, apesar de considerável parte da população ser abstêmia (35% dos homens e 59% das mulheres), muitos admitem consumir bebidas alcoólicas em grandes quantidades. Dados desse mesmo estudo apontam que 29% dos entrevistados relataram, no ano anterior à pesquisa, ao menos um episódio de “beber com embriaguez”, também chamado de “beber pesado episódico”* – padrão de uso bastante nocivo à saúde por estar associado a diversos tipos de doenças, além de prejuízos sociais e interpessoais.

Diferentes fatores podem influenciar o uso de bebidas alcoólicas, entre eles estão expectativas sobre os efeitos e resultados que o indivíduo que bebe espera obter com o consumo. Nesse sentido, pesquisadores brasileiros investigaram as expectativas em relação ao consumo de bebidas alcoólicas e analisaram a associação dessas com o comportamento de beber com embriaguez.

Neste sentido, utilizaram-se dados do Projeto Gender, Alcohol and Culture: An International Study (GENACIS) referentes à Região Metropolitana de São Paulo. Durante a pesquisa, foram entrevistados 2.083 adultos, dos quais 876 relataram ter feito uso de bebidas alcoólicas no ano anterior à entrevista e, portanto, foram considerados nesse estudo.

Para avaliar as expectativas sobre o uso do álcool foram aplicadas cinco perguntas, sendo duas sobre a facilitação no relacionamento interpessoal (“quando você bebe, acha mais fácil se abrir com outras pessoas?” e “quando você bebe, acha mais fácil falar com seu atual companheiro sobre seus sentimentos ou problemas?”) e três associadas à atividade sexual (“quando você bebe, sente-se menos inibido(a) com sexo?”, “quando você bebe, acha a atividade sexual mais prazerosa?” e “quando você bebe, sente-se sexualmente mais atraente?”).

Constatou-se que, entre os participantes, 48% dos homens e 18% das mulheres relataram ao menos um episódio de beber com embriaguez no ano anterior. Tanto os homens quanto as mulheres praticamente não diferiram em relação às expectativas do uso do álcool, com ambos apresentando mais riscos de engajamento em consumo excessivo quando creem que essa substância fará com que: (a) seja mais fácil se abrir com outras pessoas; (b) sintam-se menos inibidos(as) em relação ao sexo; (c) a atividade sexual seja mais prazerosa e, por último, (d) sintam-se sexualmente mais atraentes. A expectativa “achar mais fácil falar com seu atual companheiro sobre seus sentimentos ou problemas” não se associou ao beber com embriaguez em nenhum dos gêneros.

Portanto, verificou-se que algumas expectativas podem estar associadas ao comportamento de beber com embriaguez. Nesse aspecto, os autores enfatizam a importância de compreender tal associação a fim de contribuir para estratégias mais efetivas de prevenção. Ainda, salientam a necessidade da criação de políticas voltadas, principalmente, à população mais jovem que está mais exposta a riscos, com o objetivo de alterar as expectativas que podem influenciar diretamente esse tipo de consumo excessivo.

*Ingestão de cinco ou mais doses de álcool por ocasião para homens e quatro ou mais para mulheres, sendo que uma dose (350 ml de cerveja, 120 ml de vinho ou 40 ml de destilado) contém, aproximadamente, 10-14 g de álcool puro.

Curta e compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • LinkedIn
  • StumbleUpon
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS