O artista urbano entregou ontem, sábado, 31 de maio, seu primeiro mural no México, em San Miguel de Allende, cidade declarada pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2008, no estado de Guanajuato. Na segunda-feira, 2 de junho, já no Brasil, Kobra prossegue sua intervenção em dois grandes tanques de armazenamento de gases da empresa Linde na rodovia Cônego Domenico Rangoni, no trecho que liga Cubatão ao Guarujá, onde passam diariamente milhares de veículos.  No início de maio, Kobra entregou um mural em Roma e inaugurou na capital da Itália sua primeira exposição individual no Exterior.

 

MariArte: o belíssimo mural de Eduardo Kobra no México

Eduardo Kobra não para! O conhecido artista urbano brasileiro entregou ontem, 31 de maio, seu primeiro mural no México. Ele pintou, acompanhado por Agnaldo Brito, também artista do Studio Kobra, o mural “MariArte”, na fachada de nove metros de altura por 14 de comprimento do hotel Matilda, conhecido por fazer várias ações de apoio à cultura.  O trabalho faz parte do Smart Festival de San Miguel Allende, cidade declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2008, pela Unesco, no estado de Guanajuato. Kobra, que utilizou técnica mista (spray e esmalte sintético), foi convidado pela curadora do festival, Julia Riley Sullivan, que também é   editora da “Fresco Magazine”, dos EUA (que fez matéria de capa com Kobra) e também sócia de uma galeria em Miami onde Kobra pintou o famoso carro no festival Art Basel de 2013. O trabalho foi realizado no Centro Histórico da cidade.

No início de maio, Kobra fez em Roma o mural “Paz” (onde destacou a jovem paquistanesa Malala Yousafzai) e inaugurou sua primeira exposição individual no Exterior, “Peace”, na Dorothy Circus Gallery também na capital italiana, onde apresenta dez obras com personalidades que, segundo ele, influenciaram o planeta “no caminho da paz e da harmonia entre homens e mulheres de diferentes países, raças e religiões”: Malala Yousafzai, Dalai Lama, Albert Einstein, Madre Teresa, Bob Marley, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi, Papa (João Paulo II), John Lennon e Martin Luther King

“Retratamos um mariachi, dentro do projeto em que faço releituras com imagens icônicas dos lugares por onde passo. Nesta obra, o Mariachi está tocando e de seu instrumento saem cores, que fluem e interagem com a arquitetura clássica da cidade. Assim, preservamos o Centro Histórico e de forma alguma agredimos o espaço. Respeitamos o local e fazemos a releitura do personagem com cores típicas brasileiras. No chapéu se percebe as bandeiras do México e do Brasil e, entre elas, há um pequeno coração”, diz Eduardo Kobra. Ele e Agnaldo Britto tiveram no trabalho do “MariArte” o apoio de três grafiteiros da cidade.

Agnaldo Brito, na escada; Eduardo Kobra e policiais mexicanos

Um dado curioso do trabalho é que o governador do estado de Guanajuato ficou entusiasmado com a obra e colocou permanentemente no local policiais de plantão para que garantissem a tranquilidade dos artistas durante o trabalho. “Foi a primeira vez em minha carreira que acontece isso. Agradecemos o apoio, mas conversamos muito para que isso não inibisse de forma alguma a aproximação das pessoas, já que um dos aspectos mais fascinantes do nosso trabalho é justamente a interação com as pessoas que adoram perguntar, conversar e tirar fotografias”, conta Kobra.

Durante o processo de trabalho

 

Dia 2 de junho, em Cubatão

O conhecido muralista volta para o Brasil no domingo e no dia 2 de junho dá sequência à sua intervenção em dois grandes tanques de armazenamento de gases da empresa Linde na rodovia Cônego Domenico Rangoni, no trecho que liga Cubatão ao Guarujá, onde passam diariamente milhares de veículos.   Este ano tenho convites para pintar em sete países. Por isso, acho sempre fundamental fazer intervenções aqui no Brasil, que é a minha base, onde me inspiro e recomponho minhas energias”, diz Kobra.

A nova arte começa a ser desenvolvida em dois dos maiores tanques criogênicos da Linde (cada um com cerca de 14 metros de altura por 17 metros de diâmetro), destinados ao armazenamento de gases do ar em forma líquida. Os tanques ficam voltados para a rodovia Cônego Domenico Rangoni, trecho do Sistema Anchieta-Imigrantes que liga Cubatão ao Guarujá, onde passam diariamente milhares de veículos. Para respeitar as exigências estabelecidas na legislação ambiental e evitar qualquer transtorno na região, será utilizada tinta poliuretano (cerca de 70 litros de tintas), normalmente utilizadas em pinturas de estruturas metálicas industriais. A aplicação das tintas será por meio de pistola e compressor de baixa pressão.

Detalhe do trabalho que Eduardo Kobra começa a fazer nos tanques da Linde em Cubatão

“Queremos, com este projeto, externar que um ambiente industrial pode ser colorido e visualmente agradável para os trabalhadores, a comunidade local e os turistas diariamente trafegam por lá. É preciso dar um toque de inovação e arte à paisagem dura da Indústria. Por isso, estamos oferecendo uma arte peculiar e mundialmente respeitada: os trabalhos do Kobra”, afirma Tathiana Ostorero, gerente de Comunicação da Linde. “Fiquei muito bem impressionando com o zelo que a empresa tem com o meio ambiente, com a segurança e, também, com a possibilidade de oferecer arte a quem trabalha na Linde, assim como para as pessoas que estão passando pela estrada. Estou motivadíssimo com o trabalho”, conta Kobra.

De acordo com o artista, os elementos que serão utilizados na obra são, principalmente, crianças, ar e objetos ao vento. “As crianças expressam o futuro e a construção de um mundo melhor e mais seguro, com respeito pelo planeta; o vento representa o movimento, a inovação e a renovação, características das melhores empresas; e o ar é a matéria-prima de onde a Linde extrai seus principais produtos – nitrogênio, oxigênio e argônio – e transforma vidas”, explica o artista, que “se inspirou no slogan da empresa: “Se tem inovação (no ar), tem Linde”.

 

 

Sobre Eduardo Kobra

Eduardo Kobra é um dos mais conhecidos e respeitados, por público e crítica, artistas urbanos brasileiros. Acaba de voltar de Roma, onde trabalhou em dois projetos. Pintou o mural “Paz” (em homenagem à liberdade e igualdade entre povos, raças, sexos e religiões), que tem como referência a paquistanesa Malala Yousafzai; e inaugurou sua primeira exposição individual no Exterior, “Peace”, que fica até dia 25 de junho na capital italiana, primeiro na Dorothy Circus Gallery, e depois na embaixada brasileira em Roma.

A jovem paquistanesa Malala foi retratada no mural Paz, em Roma

Kobra trabalhou intensamente, todos os dias, das 8h às 18h, ao lado de Agnaldo Brito, artista do Studio Kobra, para entregar no dia 9 de maio o muro da fachada do MAAM (Museo dell’Altro e dell’Altrove di Metropoliz – città meticcia), na via Prenestina, 913. Na obra “Paz”, Kobra destacou com técnica mista (spray e compressor) a jovem Malala. O muro tem 5,5 m de alturaX30m de comprimento. “A Malala é um símbolo para todo mundo por sua coragem e a luta pelo direto à educação e liberdade da mulher no Paquistão e no mundo inteiro”, diz Kobra.

Na exposição “Peace”, na Dorothy Circus Gallery (na via dei Pettinari 76), Kobra usa também técnica mista – com diversos materiais – e apresenta dez obras, onde destaca personalidades que, segundo ele, influenciaram o planeta “no caminho da paz e da harmonia entre homens e mulheres de diferentes países, raças e religiões”. Ele apresenta as seguintes telas: John Lennon – 50cm x 50cm; Malala Yousafzai – 50cmx50cm; Dalai Lama – 50cmx50cm; Albert Einstein – 100cmx100cm; Madre Teresa – 80cmx80cm; Bob Marley – 80cmx80cm; Nelson Mandela – 80cmx80cm; Mahatma Gandhi – 70cmx70cm; Papa (João Paulo II) – 70cmx70cm. John Lennon – 70cmx70cm e Martin Luther King – 70cmx70cm

Eduardo Kobra começou como pichador, tornou-se grafiteiro (ler sobre o artista mais abaixo no release) e hoje se define como um muralista. Tornou-se conhecido pelo seu projeto Muro das Memórias, onde faz releituras de cenas da São Paulo antiga, como o muro de 1.000m2 na av. 23 de maio. Nos últimos anos também se dedicou muito a outros projetos, como surpreendentes obras em 3D e o projeto Greenpincel, onde mostra (ou denuncia) imagens fortes de matança de animais e destruição da natureza; e homenagens a personagens que marcaram a história, em diferentes áreas, como Albert Einstein, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Abraham Lincoln, Maya Plisetskaya Salvador Dali, Barquiat (grafiteiro), Frida Kahlo e Andy Warhol. Também fez várias viagens para mostrar seu trabalho no Exterior, como para a Inglaterra (Londres), França (Lyon), Atenas (Grécia), Rússia (Moscou) e Estados Unidos (Nova York, Miami, Sarasota e Los Angeles).

Eduardo Kobra fez diversas intervenções urbanas em São Paulo, como a homenagem a Oscar Niemeyer, feita em janeiro do ano passado para o aniversário de São Paulo. É interessante ressaltar que Kobra não faz intervenções sem pedir antes a autorização do poder público ou do proprietário do imóvel.

O projeto “Muros da Memória” busca transformar, através de murais, a paisagem urbana e resgatar a memória da cidade. Os desenhos são a síntese do modo peculiar de Eduardo Kobra criar – através do qual pinta, adere, interfere e sobrepõe cenas e personagens das primeiras décadas do século XX.  Essas obras são uma junção de nostalgia e modernidade, por meio de pinturas cenográficas, algumas monumentais. Através delas cria portais para saudosos momentos da cidade “A ideia é estabelecer uma comparação entre o ar romântico e o clima de nostalgia, com a constante agitação de hoje”, diz o artista.

Sobre o Greenpincel Kobra afirma: “se no Muro das Memórias mostro a beleza e convido à contemplação, no Greenpincel mostro o horror e convido para a tomada de posição e para a ação”.

Para 2014 tem vários convites para fazer obras no exterior. Além da Itália, fará intervenções artísticas no México, Estados Unidos, Canadá, Grécia, França, Suécia, Dinamarca e Austrália. Mas também faz parte de seu projeto pintar mais obras em São Paulo, que diz ser sua inspiração máxima.

 

Eduardo Kobra: vida e obra            

Kobra é um expoente da neo-vanguarda paulistana. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o pixo e o graffiti, caros ao movimento Hip Hop, e se espalha pela cidade. Com os desdobramentos, que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou – com o Studio Kobra, criado em 95 – para um muralismo original – inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos e no design do norte-americano Eric Grohe — beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro.

Kobra é autor do projeto “Muro das Memórias”, que busca transformar a paisagem urbana através da arte e resgatar a memória da cidade. “A ideia é estabelecer uma comparação entre o ar romântico e o clima de nostalgia, com a constante agitação  e hoje”, afirma o artista.. Os desenhos são a síntese do seu modo peculiar de criar – através do qual pinta, adere, interfere e sobrepõe cenas e personagens das primeiras décadas do século XX.  As obras unem nostalgia e modernidade, por meio de pinturas cenográficas, algumas monumentais. Através delas cria portais para saudosos momentos da cidade.

Desde 2006 já foram entregues cerca de 25 murais em avenidas e ruas de São Paulo. Em janeiro de 2009, entregou para o aniversário de São Paulo um mural de 1000 metros quadrados na av. 23 de Maio, que mostra cenas da década de 20. Kobra, que nunca faz uma intervenção sem pedir antes a autorização do poder público ou do proprietário do imóvel, pediu a autorização para a a obra. O então prefeito Gilberto Kassab (“Lei da Cidade Limpa”) prestigiou a inauguração do muro da av. 23 de maio, o que é visto como um marco para a arte de rua, porque pouco antes os fiscais de Kassab andavam destruindo várias obras de artistas urbanos.

Kobra, inquieto, estudioso e autodidata, também faz pesquisas com materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos (muito difundida por nomes internacionais, como Julian Beever e Kurt Wenner). O artista realizou diversas obras em 3D, como na Praça Patriarca, no centro da Cidade, a primeira no Brasil; e na Avenida Paulista, símbolo da megalópole. A técnica anamórfica  consiste em “enganar os olhos”. A pintura é distorcida ou mesmo incompreensível na maioria dos ângulos de visão, mas ao ver do ângulo correto, estipulado pelo artista, se torna um 3D com incrível variação de profundidade e realismo.

Paralelamente, Kobra desenvolve sua produção pessoal, que passa pela pesquisa de materiais reciclados e novas tecnologias. Além da pintura em 3D sobre pavimentos, recicla e recria momentos e formatos das histórias da Arte e das cidades, especialmente de São Pualo.

Kobra tem sido muito procurado para decorar também para pintar restaurantes, bares e residências.  Participou de várias edições da Casa Cor São Paulo e da Bienal de Arquitetura de São Paulo. Em outubro de 2008, fez na galeria Michelangelo, em São Paulo, a elogiada exposição “Lei da Cidade que Pinta”, onde placas, outdoors, luminosos e outros materiais de comunicação visual retirados pelos fiscais e funcionários da Prefeitura ressurgiram como suporte para as obras de arte. Em julho de 2009 fez, também em São Paulo, na galeria Pró Arte, a exposição “Visitas”, sucesso de crítica e público.  Em julho e agosto deste ano realizou algumas intervenções em 3D com o artista plástico Romero Brito, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em outubro desse mesmo ano, realizou grafitou um muro na Av. Rebouças, em São Paulo, ao lado de  Jay Mulder, considerado um dos seis maiores expressionistas norte-americanos vivos.  Em novembro, expôs 25 telas inéditas na Galeria Romero Britto. Além disso, realizou uma série de intervenções em 3D em São Paulo (na Avenida Paulista), Rio de Janeiro (Copacabana) e Brasília (Esplanada dos Ministérios).

 

         O grande ano de 2013

Em 2013, além de realizar inúmeros trabalhos em São Paulo, Kobra se projetou de vez internacionalmente. Fez em Los Angeles, ao lado de Agnaldo Brito, artista do Studio Kobra, o mural “Olhar a Paz”, de 400m2, no “La Gays Lesbian Center”, na Highland Ave, em Hollywood. O mural de Kobra mostra três ganhadores do Nobel da Paz: Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela e Martin Luther King.  Também em setembro, o brasileiro fez no muro do atelier de Mr Brainwash a obra “Einstein”. Ao final do ano, acertou com Mr. Brainwash que terão um atelier juntos em Los Angeles já em 2014.

“A Bailarina” em área nobre de Moscou

Em outubro, o muralista foi para Moscou, a convite da Prefeitura da cidade, para pintar um novo painel, de 16mX10m, em homenagem a um dos principais nomes da historia do balé russo e mundial: Maya Plisetskaya, de 88 anos. No dia 14 de outubro, Kobra avisou, minutos antes de sair da Rússia, que havia deixado em Moscou mais um mural, feito sem convite ou permissão oficial: a obra “Ana”, onde pedia a liberdade para a ativista Ana Paula Maciel, do Greenpeace. “Ana” foi pintada no bairro Mendeleevskaya, próximo à estação de metrô do mesmo nome, em um local tradicional da Street Art de Moscou. Foi toda feita com spray. A produção da obra demorou cerca de cinco horas. “Primeiro pintei o urso e só ao final escrevi a mensagem, para não despertar tanta atenção de quem passava pelo local”, diz Eduardo Kobra. “Foi maravilhosa a forma como fui recebido em Moscou e São Petersburgo. O tempo todo fiquei impressionado com a força da cultura russa, em seus variados aspectos, mas não poderia deixar de registrar o meu protesto contra a prisão da ativista do Greenpeace. Afinal, não podemos tolerar a falta de liberdade para a expressão”, afirmou na época Eduardo Kobra. O protesto do “artista brasileiro corajoso” foi destaque em sites e jornais de diversos países.

De volta a São Paulo, fez no São Paulo Fashion Week um carro em 3D com grande repercussão. Logo a seguir fez nova viagem para os Estados Unidos. Primeiro fez em Lexington, Kentucky, uma releitura da famosa obra do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln. O belo trabalho, com cerca de 18 metros, foi realizado na parede de trás de um teatro centenário de Kentucky, e traz o estilos mais recente de obra, que une o traço realista com cores vivas. O trabalho foi elogiadíssimo e apareceu em diversos jornais da região, a maioria na capa. Além disso, Kobra foi convidado pelo prefeito da cidade para jantar em sua casa.

Após Lexington, Kobra seguiu para Sarasota, para participar, pela terceira vez, do Festival de Arte em 3D, um dos maiores do mundo.

Depois, foi para Miami para a Art Basel, principal feira de artes do mundo. Fez um grande mural com Salvador Dali, Barquiat (grafiteiro), Frida Kahlo e Andy Warhol, na principal avenida de Winwood. Depois, pintou um carro na galeria de arte Babu, em homenagem ao ator e diretor Clint Easwood.  Antes de voltar ao Brasil, fez o mural “Tupac and Biggie”, sobre os rappers Tupac Shakur e Notorious B.I.G, em frente ao Winwood Wall, principal  ponto de referência dos artistas de rua e Miami. O muro virou um ícone na cidade.

 

 

 

2013 em São Paulo

Pouco antes de viajar para Los Angeles, Kobra fez, com recursos próprios, ao lado de outros dois artistas do Studio Kobra, um mural colorido, mas com algumas partes em preto e branco, de 3mX18m, no corredor de desembarque do aeroporto de Congonhas. A obra faz a releitura de uma cena da década de 50, com a fachada do aeroporto, carros estacionados, aviões ao fundo na pista e algumas pessoas.  “O aeroporto era, além de um importante local para as viagens, também uma atração turística, espécie de praia para os paulistas que iam ao local para assistir aos pousos e decolagens”, diz o artista. De acordo com Kobra, para a execução do trabalho, ele recebeu do aeroporto dezenas de fotos e ainda leu vários livros sobre aviação. Também antes da viajar para o EUA, Kobra fez um mural em frente à Igreja do Calvário, em Pinheiros.

A obra se insere em um dos grandes pilares do trabalho do artista, que é o projeto “Muro das Memórias”, onde resgata a beleza do passado e convida à contemplação. “É muito bom saber que milhares de pessoas – paulistanos e turistas – que chegarem diariamente ao aeroporto serão recebidas com essa linda cena”, afirma Kobra, paulistano, de 38 anos. Além do mural de Kobra, paulistanos e turistas podem encontrar outra obra, magnífica, no aeroporto de Congonhas, situada em um pavilhão, próximo à pista: “Os Trabalhadores”, de Emiliano Di Cavalcanti e Clóvis Graciano.

Também em 2013, Kobra entregou dois murais de apoio às manifestações do povo brasileiro, um deles, sem nome, na  avenida Rebouças (altura do número 167)e outro, chamado “Aberto para Reformas”, na avenida Heitor Penteado (altura do número 560).

Homenagem de Eduardo Kobra a Oscar Niemeyer, na região da av. Paulista

No início de 2013, Eduardo Kobra foi notícia em mais de 30 países ao inaugurar no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, na parede lateral do edifício Ragi, na Praça Oswaldo Cruz (número 124), no início da Avenida Paulista, em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, falecido no dia 5 de dezembro de 2012. Ele pintou um retrato do artista, com várias referências às suas grandes obras (aparecem no desenho a Pampulha, o Copam, o Museu Oscar Niemeyer e o Palácio do Planalto). A obra tem 52m de altura por 16m de largura.

 

Mais sobre o artista

Em novembro de 2012, Kobra retratou duas obras de Niemeyer – a catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como catedral de Brasília, e a Igreja São Francisco de Assis da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais – no grande mural que fez na Usina Termelétrica Norte Fluminense, em Macaé, Rio de Janeiro (foram ao total 12 painéis com homenagens a monumentos ou construções icônicas de dez cidades brasileiras, além de Paris).  “As obras da usina projetei e fiz quando Niemeyer era ainda vivo. Depois, embora ele não fosse paulista, quis homenageá-lo no aniversário de São Paulo, em um dos cartões símbolos da cidade, que é a região da av. Paulista. Afinal, ele era um cidadão do mundo”, diz Kobra.

A pintura de Niemeyer e as obras na usina de Macaé se inserem na mesma da mesma linha dos trabalhos que produziu no ano passado nos EUA, com grande repercussão, quando transpôs o Monte Rushmore de Keystone, em Dakota do Sul, para Los Angeles, na Califórnia (trabalho citando no início do release); e fez o belíssimo mural “O beijo está no ar’ em Manhattan, na região de Chelsea, conhecida por abrigar algumas das melhores galerias de arte de Nova York.

Também no final do ano passado, fez o mural “Viver, Reviver e Ousar”, com uma releitura do lindo monumento “às Bandeiras”, do escultor Victor Brecheret, também na Igreja do Calvário.

“O Beijo”, na High Line, em Nova York, uma das obras mais famosas de Kobra

Kobra fez em junho de 2012 o belíssimo mural “O beijo está no ar’ em Manhattan, na região de Chelsea (no 255 10th Avenue), conhecida por abrigar algumas das melhores galerias de arte de Nova York. Durante  duas semanas em que durou a pintura do mural, norte-americanos e turistas fotografaram e filmaram tanto o mural que um funcionário da High Line (antiga linha de trem que hoje virou um importante ponto turístico em Nova York. e de onde há uma visão privilegiada para o trabalho de Kobra), precisou permanecer o tempo todo no local pedindo para as pessoas não permanecerem muito tempo paradas, para não causar aglomeração

“Foi um trabalho de grande repercussão e interação com o público. Como a parte superior do mural está totalmente voltada para o público que caminha pela High Line, muita gente parava para acompanhar o nosso trabalho.  Nunca vi coisa parecida”, relembra Kobra.

         O tema escolhido para a obra remeteu a Times Square da década de 40. ”Em uma das nossas longas caminhadas que fizemos antes de decidirmos o que e onde pintar, chegamos a Times Square e fiquei profundamente emocionado, com todo aquele movimento, as pessoas do mundo inteiro,  os painéis enormes e coloridos e a vida pulsando. Buscamos algumas referências e chegamos ao famoso beijo da Times Square (beijo de um marinheiro em uma enfermeira, que ilustrou na capa da revista Life o fim da II da Segunda Guerra Mundial, retratado pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt, em 14 de agosto de 1945, dia em que o Japão se rendeu aos EUA)

“Esta foi a base deste novo mural. O objetivo é sensibilizar e mostrar que, mesmo com toda a correria, mesmo com o mundo dos negócios a todo vapor, o Amor está no Ar em Nova York!”, diz Eduardo Kobra.

 

Veja a seguir uma síntese das linhas de trabalho de Eduardo Kobra

Muro das Memórias – projeto mais antigo e constante de Eduardo Kobra, que pinta São Paulo antiga. Há cerca de 40 trabalhos em São Paulo. Cria um contraste entre o antigo e o contemporâneo. Na av. 23 de maio, em seu maior trabalho, de mil metros quadrados, as pessoas passam em seus carros, como máquinas, a toda velocidade. O lado humano da avenida está justamente nos rostos pintados no muro. O artista começa a ser convidado para desenvolver trabalhos do Muro das Memórias em outras cidades. Fez, por exemplo, lindas criações em Belém do Pará, Rio de Janeiro e Santa Maria (RS), além de cidades em diversos países.

3D – Kobra é pioneiro nesta arte. Surpreendeu São Paulo fazendo um carro em 3d na Praça do Patriarca. A obra tinha cerca de 30 metros de largura por oito de comprimento. De 98% das posições o espectador via uma mancha no chão. De dois por cento via um carro, “real”, na frente. Fez um Pelé na Av. Paulista; um Michael Jackson no Rio de Janeiro (junto com o artista plástico Romero Brito); uma piscina no Rio (homenagem às Olimpíadas); monumentos de Brasília na Esplanada dos Ministérios e um canyon com elementos brasileiros e sul-africanos na Praça do Patriarca, em São Paulo, durante a Copa do Mundo de 2010. Ao total, fez cerca de 20 trabalhos em 3D no Brasil. Em 2011, participou e foi premiado no Sarasota Chalk Festival, maior evento de 3D do mundo (ler em trabalhos internacionais, ao final do release).

Galeria de Céu Aberto – O artista começou a colocar seus quadros em muros e outros espaços da cidade de São Paulo. Quer mostrar para as pessoas que a arte é acessível, que todos podem entrar em galerias. “Muita gente pensa que não gosta de arte simplesmente porque nunca entrou em museus e galerias”, afirma Eduardo Kobra que há pouco mais de quatro meses fez uma obra deste projeto em muro da Praça Panamericana.

Galeria – Kobra se firma como artista plástico. Sua arte é cada vez mais encontrada também nas galerias. Em outubro de 2008, fez na galeria Michelangelo, em São Paulo, a elogiada exposição “Lei da Cidade que Pinta”, onde placas, outdoors, luminosos e outros materiais de comunicação visual retirados pelos fiscais e funcionários da Prefeitura ressurgiram como suporte para as obras de arte. Em julho de 2009 fez, também em São Paulo, na galeria Pró Arte, a exposição “Visitas”, sucesso de crítica e público. Tem telas na Galeria de Arte André. Ainda em 2012 fará exposições em Nova York e Paris.

Greenpincel – O projeto que o artista desenvolve desde março de 2011, buscando alertar e combater as agressões do homem aos animais e ao planeta como um todo.  Kobra entregou vários murais para a cidade de São Paulo, dentro do projeto. Fez em julho um chocante mural de “boas-vindas”, chamado “Welcome to Amazônia”, na av. Rebouças, 167, com cerca de 7mX5m. O cenário mostra um ambiente arrasado. Pouco antes, concluiu o  mural “CO2”, na rua Alvarenga, 2.400, com cerca de 10mX5m, também parte do seu projeto Greenpincel, iniciado com o mural “Navio Baleeiro” (obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru), realizado em março na rua Domingos de Morais, na Vila Mariana. Em agosto, Kobra e outros artistas do Studio Kobra pintaram o mural “Sem Rodeios”, na av. Brigadeiro Faria Lima, depois de ficar chocado com as imagens nos jornais e sites do bezerro abatido pelo peão César Brosco durante a 56ª. Festa do Peão de Barretos. Em setembro, fez na rua Cayowa, em Perdizes, o mural “Mar da Vergonha”, onde critica o massacre de centenas de golfinhos no início de setembro, na pequena cidade de Taiji, na costa meridional da ilha japonesa de Honshu. Em outubro do ano passado fez o mural Alta Mira, onde critica a construção da usina, trabalho que atingiu grande repercussão de público e mídia.

“Welcome”, em São Paulo, obra do projeto Greenpincel

Segundo Kobra, o Greenpincel denuncia e combate artisticamente as várias formas de agressão do Homem à natureza. “Todas as tragédias naturais que têm acontecido em nosso planeta mostram que proteger os animais e a natureza como um todo é também uma forma de protegermos o ser humano. Particularmente, sou um apaixonado por plantas e animais. São temas que namoro há muito tempo e, por isso, decidi que já era hora de colocá-los também dentro do meu trabalho como artista”, diz. O Greenpincel marca uma nova etapa nas obras de rua do artista, que buscam basicamente preservar a memória e trazer beleza aos paulistanos, em meio à correria do dia-a-dia. “Gosto muito de resgatar a história e levar beleza às ruas das cidades, o que faço principalmente no projeto ‘Muro das Memórias’, mas há situações em que devemos denunciar, mostrando artisticamente as agressões feitas contra o nosso Planeta”, afirma.

Personalidades – Série que homenageia personalidades importantes da história, como o arquiteto Oscar Niemeyer, o compositor Adoniran Barbosa e o ator e compositor Mário Lago, além de nomes como Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Martin Luther King e Albert Einstein.

Mosaicos – É fase mais recente do trabalho de Kobra. Usa aspectos coloridos e figuras geométricas sobrepostas nas cenas. Esta técnica dá profundidade e cor aos trabalhos. Alguns exemplos desta fase são os já citados murais “O Beijo está no Ar”, em Nova York; e o trabalho de agora em Moscou.  Às vezes a técnica pode se mesclar a outros estilos ou linhas de trabalho do artista. A recente homenagem a Oscar Niemeyer pertence à fase Personalidades e também à fase Mosaicos.

 Trabalhos Internacionais em 2011 e 2012– Além dos trabalhos destacados no início deste release, o muralista e artista plástico fez, em 2011 e 2012 diversos trabalhos no Exterior. Em maio de 2011, em Lyon, França, pintou o mural Imigrantes (de 17mX3,5m), no bairro de Guillotiére, que é conhecido por abrigar muitos imigrantes, vindos de diversos países e continentes. Um novo projeto da Prefeitura da cidade prevê a demolição de várias casas e prédios históricos dessa região, para a construção de uma ampla avenida, trazendo modernidade às custas da perda de patrimônio histórico e, principalmente, da retirada de antigos moradores. “Minha pintura fez parte de uma série de eventos e protestos contra essa ação da Prefeitura”, explica o artista.  Todo o processo produtivo de Kobra foi acompanhado pelo francês Gilbert Codene, líder de uma das principais equipes de pintores muralistas no mundo.

Antes de Lyon, Kobra passou por Londres, onde fez, em abril, um mural na bicentenária Roundhouse. Nesse muro já existiram outros trabalhos. O primeiro foi do famosíssimo grafiteiro Banksy (um documentário sobre ele concorreu ao Oscar). O trabalho de Banksy foi atacado por uma senhora que mora no bairro e não gostou da obra, destruindo-a com tinta branca. Pouco depois, artistas utilizaram o muro para protestar, desenhando uma onça e colocando frases contra o ataque. A Roundhouse fica no Camden Town, um dos bairros mais descolados de Londres e é umas das casas mais importantes da capital inglesa. Por lá já se apresentaram nomes como Mick Jagger.

Na Grécia, Kobra fez, com Agnaldo Britto Pereira, em um ponto nobre de Atenas (próximo à estação do metrô Pefkakia),  o mural “Evolução Desumana”, com cerca de 35 metros de comprimento por cinco de altura, dentro de seu projeto  Greenpincel.  Após passar cerca de um mês em Atenas, voltou ao Brasil no final de agosto, após concluir o mural, que havia sido atacado por religiosos, revoltados com o que chamavam de agressão a Deus, já que “Evolução Desumana” trazia da evolução segundo Charles Darwin.

“Sempre respeitei as culturas e as religiões. O meu trabalho é com Arte Urbana e, claro, ele acontece principalmente nas ruas, o que aumenta  ainda mais a minha responsabilidade, já que minhas obras são vistas por todos os tipos de pessoas. Mas parece-me claro que o fato de não gostar de algum trabalho artístico, por sua qualidade ou temática, não dá a ninguém o direito de destruí-lo. Se assim o fosse, esses religiosos poderiam entrar no Museu de História Natural de Nova York, onde a evolução da espécie e, principalmente, humana é mostrada de forma realista, e destruírem tudo! Respeitar o direito de expressão é básico na Democracia que, por sinal, começou aqui na Grécia. Por isso decidimos, ainda que exista algum perigo de um novo ataque ao muro, refazer o trabalho, com algumas modificações estéticas, mas ainda dentro do mesmo tema. Não podemos ceder espaço para os intolerantes”, diz Eduardo Kobra.

O muralista viajou para Atenas a convite de Kiriakos Isofidis, sócio da editora Carpe Diem, que já publicou três livros sobre muralismo (“Mural Art Book 1, 2, e 3”), além de diversos outros livros sobre Street Art. O terceiro volume de “Mural Art Book” traz duas páginas sobre o trabalho de Kobra. Isofidis também dirige o grupo Carpe Diem,  um dos principais de arte de rua na Grécia.

No final de 2011, Kobra foi aos EUA, acompanhado pela sua equipe do Studio Kobra, como o único artista brasileiro convidado para o Sarasota Chalk Festival, maior evento de arte em 3D no mundo, que teve a curadoria de Kurt Wenner. Os trabalhos do festival foram realizados de 1 a 6 de novembro e o dia 7 foi exclusivo para a visitação do público, que lotou as ruas da cidade norte-americana. Várias urnas foram espalhadas por Sarasota para que o público votasse nos 20 melhores trabalhos, entre os 200 participantes. A Biblioteca em 3D de Eduardo Kobra esteve entre os 20 trabalhos eleitos e premiados. Após o festival, os brasileiros participaram da Garage Art (a pintura de um estacionamento), ao lado de outros quatro artistas – cada um responsável por um andar, em Sarasota, e, ainda na cidade, pintaram a lateral de um prédio na avenida Pinapple, também em Sarasota, retratando uma cena da década de 40.

Após Sarasota, Kobra viajou a Miami para participar do Art Basel, evento de arte que acontece em “toda” Miami, com cerca de 100 artistas norte-americanos e de diversos países pintando os muros da cidade. O Studio Kobra pintou um quarteirão inteiro em Wynwood, com imagens antigas, mas em linguagem contemporânea e colorida. No início de 2012, após as festas de final de ano no Brasil, Kobra voltou aos EUA para participar da Art Palm Beach, também com um mural que mostrava imagens antigas com linguagem contemporânea. Ainda no EUA fez em Los Angeles o já citado neste release mural com oito metros de altura por 14 de comprimento, com uma releitura das esculturas de quatro presidentes dos EUA. Em novembro de 2012 Kobra voltou ao Sarasota Chalk Festival e fez a obra “O Circo”, em 3D.

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