“O Candango”, de Eduardo Kobra. crédito: Mateus Bonomi

O conhecido muralista Eduardo Kobra está fazendo um trabalho em Brasília, na lateral do prédio da Caixa Econômica Federal (SAS Setor de Autarquias Sul, QD 05 LT 09/10, Edifício Matriz II). A obra, “O Candango” – feita com o spray e esmalte sintético, com 29 metros de altura por 7,4 de largura – retrata, segundo Kobra, “aqueles que dedicaram suas vidas à construção de Brasília, vindos de várias partes do Brasil”.

A obra faz parte do projeto “Muro das Memórias”, desenvolvido pelo artista em muitas cidades.

Além de pintar em muros, Kobra e equipe cada vez mais se dedicam a fazer obras nas laterais de grades prédios. Já são dez em diversas cidades e países, entre eles “Oscar Niemeyer”, em São Paulo; “O Beijo”, em Nova York; e a “Bailarina”, em Moscou.

No cenário de Brasília, surge a arte de Eduardo Kobra. Crédito: Octavio Mendes

Em Brasília, Kobra está acompanhado pelos artistas Agnaldo Brito, Marcos Rafael e Marcos dos Santos, todos do Studio Kobra A obra deve estar concluída ao final do dia 27. No dia 29 de agosto Kobra inicia uma viagem de 32 dias para pintar em cinco países: Suécia, Polônia, França, Estados Unidos e Canadá.

Recentemente, Eduardo Kobra fez mais um mural no México e, também, pintou rótulos das garrafas da água Perrier (mesmo trabalho feito em 83 por Andy Warhol), que terá lançamento mundial em setembro deste ano.

 

Eduardo Kobra

“A bailarina”, de Kobra, em área nobre de Moscou

O conhecido artista urbano brasileiro fez recentemente o mural “Viva o Ibirapuera”, em homenagem aos 60 anos do parque mais famoso e importante de São Paulo. A obra de Eduardo Kobra no Parque do Ibirapuera fica na marquise em frente à Aranha do MAM. São quatro paredes, que foram um cubo (duas delas de 23 metros por quatro metros e duas oito metros por quatro metros). A arte no Ibirapuera mostra cenas cotidianas de pessoas no parque: um casal se beijando e sorrisos de uma criança e de um casal de idosos (dois rostos que formam um). “Muitas pessoas pensam que preservação ecológica é só cuidar da Amazônia, daquilo que muitas vezes está distante. Claro que é fundamental! Mas preocupação ecológica é também cuidar e preservar dos parques que estão perto de nós, em nossos espaços urbanos, como o Ibirapuera, que completa 60 anos.”, afirma.

De acordo com o artista, as pessoas podem se inspirar ou imitar as cenas dos desenhos e tirarem selfies para serem compartilhadas: “O Ibirapuera é o parque da natureza, dos pássaros e pessoas também. Por isso o nome do mural é ‘Viva o Ibirapuera’. Afinal, é preciso homenagear esse lindo espaço da cidade. É preciso vivenciar o Parque do Ibirapuera”, conclui.

No final de maio, Kobra concluiu seu primeiro mural no México. Ele pintou, acompanhado por Agnaldo Brito, também artista do Studio Kobra, o mural “MariArte”, na fachada de nove metros de altura por 14 de comprimento do hotel Matilda, conhecido por fazer várias ações de apoio à cultura.  O trabalho faz parte do Smart Festival de San Miguel Allende, cidade declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2008, pela Unesco, no estado de Guanajuato. Kobra, que utilizou técnica mista (spray e esmalte sintético), foi convidado pela curadora do festival, Julia Riley Sullivan, que também é   editora da “Fresco Magazine”, dos EUA (que fez matéria de capa com Kobra) e também sócia de uma galeria em Miami onde Kobra pintou o famoso carro no festival Art Basel de 2013. O trabalho foi realizado no Centro Histórico da cidade. “Retratamos um mariachi dentro do projeto em que faço releituras com imagens icônicas dos lugares por onde passo.

Nesta obra, o Mariachi está tocando e de seu instrumento saem cores, que fluem e interagem com a arquitetura clássica da cidade. Assim, preservamos o Centro Histórico e de forma alguma agredimos o espaço. Respeitamos o local e fazemos a releitura do personagem com cores típicas brasileiras. No chapéu se percebe as bandeiras do México e do Brasil e, entre elas, há um pequeno coração”, diz Eduardo Kobra. Ele e Agnaldo Britto tiveram no trabalho do “MarArte” o apoio de três grafiteiros da cidade.

No início de maio, Kobra fez em Roma o mural “Paz” (onde destacou a jovem paquistanesa Malala Yousafzai) e inaugurou sua primeira exposição individual no Exterior, “Peace”, na Dorothy Circus Gallery também na capital italiana, onde apresenta dez obras com personalidades que, segundo ele, influenciaram o planeta “no caminho da paz e da harmonia entre homens e mulheres de diferentes países, raças e religiões”: Malala Yousafzai, Dalai Lama, Albert Einstein, Madre Teresa, Bob Marley, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi, Papa (João Paulo II), John Lennon e Martin Luther King. Recentemente, fez mais um mural no México e, também, pintou rótulos das garrafas da água Perrier (mesmo trabalho feito em 83 por Andy Warhol), que terá lançamento mundial.

O conhecido muralista fez em junho, julho e agosto uma grande intervenção em dois grandes tanques de armazenamento de gases da empresa Linde na rodovia Cônego Domenico Rangoni, no trecho que liga Cubatão ao Guarujá, onde passam diariamente milhares de veículos. “Este ano tenho convites para pintar em sete países. Por isso, acho sempre fundamental fazer intervenções aqui no Brasil, que é a minha base, onde me inspiro e recomponho minhas energias”, diz Kobra.

A nova arte foi desenvolvida em dois dos maiores tanques criogênicos da Linde (cada um com cerca de 14 metros de altura por 17 metros de diâmetro), destinados ao armazenamento de gases do ar em forma líquida. Os tanques ficam voltados para a rodovia Cônego Domenico Rangoni, trecho do Sistema Anchieta-Imigrantes que liga Cubatão ao Guarujá, onde passam diariamente milhares de veículos. Para respeitar as exigências estabelecidas na legislação ambiental e evitar qualquer transtorno na região, foi utilizada tinta poliuretano (cerca de 70 litros de tintas), normalmente utilizadas em pinturas de estruturas metálicas industriais. A aplicação das tintas foi por meio de pistola e compressor de baixa pressão.

“Queremos, com este projeto, externar que um ambiente industrial pode ser colorido e visualmente agradável para os trabalhadores, a comunidade local e os turistas diariamente trafegam por lá. É preciso dar um toque de inovação e arte à paisagem dura da Indústria. Por isso, estamos oferecendo uma arte peculiar e mundialmente respeitada: os trabalhos do Kobra”, afirma Tathiana Ostorero, gerente de Comunicação da Linde. De acordo com o artista, os elementos utilizados na obra são, principalmente, crianças, ar e objetos ao vento. “As crianças expressam o futuro e a construção de um mundo melhor e mais seguro, com respeito pelo planeta; o vento representa o movimento, a inovação e a renovação, características das melhores empresas; e o ar é a matéria-prima de onde a Linde extrai seus principais produtos – nitrogênio, oxigênio e argônio – e transforma vidas”, explica o artista.

 

Sobre a trajetória recente de Eduardo Kobra

“O Beijo”, na High Line, en Nova York

Eduardo Kobra é um dos mais conhecidos e respeitados, por público e crítica, artistas urbanos brasileiros. Este ano, em Roma, trabalhou em dois projetos. Pintou o mural “Paz” (em homenagem à liberdade e igualdade entre povos, raças, sexos e religiões), que tem como referência a paquistanesa Malala Yousafzai; e inaugurou sua primeira exposição individual no Exterior, “Peace”, que fica até dia 25 de junho na capital italiana, primeiro na Dorothy Circus Gallery, e depois na embaixada brasileira em Roma.

Kobra trabalhou intensamente, todos os dias, das 8h às 18h, ao lado de Agnaldo Brito, artista do Studio Kobra, para entregar no dia 9 de maio o muro da fachada do MAAM (Museo dell’Altro e dell’Altrove di Metropoliz – città meticcia), na via Prenestina, 913. Na obra “Paz”, Kobra destacou com técnica mista (spray e compressor) a jovem Malala. O muro tem 5,5 m de alturaX30m de comprimento. “A Malala é um símbolo para todo mundo por sua coragem e a luta pelo direto à educação e liberdade da mulher no Paquistão e no mundo inteiro”, diz Kobra.

Na exposição “Peace”, na Dorothy Circus Gallery (na via dei Pettinari 76), Kobra usa também técnica mista – com diversos materiais – e apresenta dez obras, onde destaca personalidades que, segundo ele, influenciaram o planeta “no caminho da paz e da harmonia entre homens e mulheres de diferentes países, raças e religiões”. Ele apresenta as seguintes telas: John Lennon – 50cm x 50cm; Malala Yousafzai – 50cmx50cm; Dalai Lama – 50cmx50cm; Albert Einstein – 100cmx100cm; Madre Teresa – 80cmx80cm; Bob Marley – 80cmx80cm; Nelson Mandela – 80cmx80cm; Mahatma Gandhi – 70cmx70cm; Papa (João Paulo II) – 70cmx70cm. John Lennon – 70cmx70cm e Martin Luther King – 70cmx70cm

Eduardo Kobra começou como pichador, tornou-se grafiteiro (ler sobre o artista mais abaixo no release) e hoje se define como um muralista. Tornou-se conhecido pelo seu projeto Muro das Memórias, onde faz releituras de cenas da São Paulo antiga, como o muro de 1.000m2 na av. 23 de maio. Nos últimos anos também se dedicou muito a outros projetos, como surpreendentes obras em 3D e o projeto Greenpincel, onde mostra (ou denuncia) imagens fortes de matança de animais e destruição da natureza; e homenagens a personagens que marcaram a história, em diferentes áreas, como Albert Einstein, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Abraham Lincoln, Maya Plisetskaya Salvador Dali, Barquiat (grafiteiro), Frida Kahlo e Andy Warhol. Também fez várias viagens para mostrar seu trabalho no Exterior, como para a Inglaterra (Londres), França (Lyon), Atenas (Grécia), Rússia (Moscou) e Estados Unidos (Nova York, Miami, Sarasota e Los Angeles).

Eduardo Kobra fez diversas intervenções urbanas em São Paulo, como a já citada homenagem a Oscar Niemeyer. É interessante ressaltar que Kobra não faz intervenções sem pedir antes a autorização do poder público ou do proprietário do imóvel.

Oscar Niemeyer, na região da av. Paulista, em São Paulo

O projeto “Muro das Memórias” busca transformar, através de murais, a paisagem urbana e resgatar a memória da cidade. Os desenhos são a síntese do modo peculiar de Eduardo Kobra criar – através do qual pinta, adere, interfere e sobrepõe cenas e personagens das primeiras décadas do século XX.  Essas obras são uma junção de nostalgia e modernidade, por meio de pinturas cenográficas, algumas monumentais. Através delas cria portais para saudosos momentos da cidade “A ideia é estabelecer uma comparação entre o ar romântico e o clima de nostalgia, com a constante agitação de hoje”, diz o artista.

Sobre o Greenpincel Kobra afirma: “se no Muro das Memórias mostro a beleza e convido à contemplação, no Greenpincel mostro o horror e convido para a tomada de posição e para a ação”.

Para 2014 tem vários convites para fazer obras no exterior. Além da Itália e México, onde já concluiu os trabalhos, fará agora a viagem para a Suécia, Polônia, França, Estados Unidos e Canadá. Até o final do ano deve ir também para Grécia, Dinamarca e Austrália.

 

Eduardo Kobra: vida e obra            

Kobra é um expoente da neo-vanguarda paulistana. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o pixo e o graffiti, caros ao movimento Hip Hop, e se espalha pela cidade. Com os desdobramentos, que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou – com o Studio Kobra, criado em 95 – para um muralismo original – inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos e no design do norte-americano Eric Grohe — beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro.

Kobra é autor do projeto “Muro das Memórias”, que busca transformar a paisagem urbana através da arte e resgatar a memória da cidade. “A ideia é estabelecer uma comparação entre o ar romântico e o clima de nostalgia, com a constante agitação  e hoje”, afirma o artista.. Os desenhos são a síntese do seu modo peculiar de criar – através do qual pinta, adere, interfere e sobrepõe cenas e personagens das primeiras décadas do século XX.  As obras unem nostalgia e modernidade, por meio de pinturas cenográficas, algumas monumentais. Através delas cria portais para saudosos momentos da cidade.

Desde 2006 já foram entregues cerca de 25 murais em avenidas e ruas de São Paulo. Em janeiro de 2009, entregou para o aniversário de São Paulo um mural de 1000 metros quadrados na av. 23 de Maio, que mostra cenas da década de 20. Kobra, que nunca faz uma intervenção sem pedir antes a autorização do poder público ou do proprietário do imóvel, pediu a autorização para a a obra. O então prefeito Gilberto Kassab (“Lei da Cidade Limpa”) prestigiou a inauguração do muro da av. 23 de maio, o que é visto como um marco para a arte de rua, porque pouco antes os fiscais de Kassab andavam destruindo várias obras de artistas urbanos.

Kobra, inquieto, estudioso e autodidata, também faz pesquisas com materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos (muito difundida por nomes internacionais, como Julian Beever e Kurt Wenner). O artista realizou diversas obras em 3D, como na Praça Patriarca, no centro da Cidade, a primeira no Brasil; e na Avenida Paulista, símbolo da megalópole. A técnica anamórfica  consiste em “enganar os olhos”. A pintura é distorcida ou mesmo incompreensível na maioria dos ângulos de visão, mas ao ver do ângulo correto, estipulado pelo artista, se torna um 3D com incrível variação de profundidade e realismo.

Paralelamente, Kobra desenvolve sua produção pessoal, que passa pela pesquisa de materiais reciclados e novas tecnologias. Além da pintura em 3D sobre pavimentos, recicla e recria momentos e formatos das histórias da Arte e das cidades, especialmente de São Pualo.

Kobra tem sido muito procurado para decorar também para pintar restaurantes, bares e residências.  Participou de várias edições da Casa Cor São Paulo e da Bienal de Arquitetura de São Paulo. Em outubro de 2008, fez na galeria Michelangelo, em São Paulo, a elogiada exposição “Lei da Cidade que Pinta”, onde placas, outdoors, luminosos e outros materiais de comunicação visual retirados pelos fiscais e funcionários da Prefeitura ressurgiram como suporte para as obras de arte. Em julho de 2009 fez, também em São Paulo, na galeria Pró Arte, a exposição “Visitas”, sucesso de crítica e público.  Em julho e agosto deste ano realizou algumas intervenções em 3D com o artista plástico Romero Brito, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em outubro desse mesmo ano, realizou grafitou um muro na Av. Rebouças, em São Paulo, ao lado de  Jay Mulder, considerado um dos seis maiores expressionistas norte-americanos vivos.  Em novembro, expôs 25 telas inéditas na Galeria Romero Britto. Além disso, realizou uma série de intervenções em 3D em São Paulo (na Avenida Paulista), Rio de Janeiro (Copacabana) e Brasília (Esplanada dos Ministérios).

 

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